Risus: Quando o Riso Vira Cuidado e Transforma Realidades no SUS

publicado em 01/09/2025

Por Anny Freire

Um nariz vermelho, um violão, uma música antiga ou até um truque de mágica simples. É com esses recursos, mas principalmente com sensibilidade e afeto, que o Projeto de Extensão RiSUS, da Emescam, vem transformando ambientes hospitalares em lugares de acolhimento e esperança.

Idealizado pela professora Tassiane Morais, o projeto nasceu em 2023 como fruto da trajetória acadêmica e da paixão pela humanização do cuidado. Hoje, reúne estudantes de diferentes cursos em oficinas semanais de palhaçaria terapêutica, preparando-os para levar alegria a pacientes da Santa Casa de Misericórdia de Vitória e outros espaços de vulnerabilidade social.

“O projeto RiSUS nasceu de uma inquietação pessoal e acadêmica. Descobri em pesquisas que o riso poderia até melhorar a qualidade do leite materno, e isso me fez refletir sobre o poder transformador das práticas humanizadoras. Foi aí que pensei em unir ciência e arte para criar um projeto que levasse não só cuidado, mas também afeto e esperança”, relembra Tassiane.

A cada visita, os alunos, caracterizados de palhaços, pedem permissão para entrar no quarto e transformam minutos em experiências inesquecíveis. “A resposta dos pacientes é imediata: olhares que brilham, sorrisos espontâneos e até lágrimas de emoção. Muitas vezes, um gesto simples, como cantar uma canção que desperta memórias afetivas, é capaz de mudar completamente o dia de uma pessoa internada”, destaca a professora.

Entre as histórias marcantes, Tassiane lembra de um senhor que parecia inconsciente. “Era o último quarto do dia, estávamos cansados, mas resolvemos entrar. Cantamos uma música antiga, e de repente ele abriu um sorriso lindo, cheio de vida. Aquele momento me mostrou que a palhaçaria pode chegar a lugares onde a técnica sozinha não alcança”, relembra.

Até agora, o projeto já beneficiou mais de 1.500 pessoas, entre pacientes, familiares e profissionais de saúde. As ações vão além do hospital: já alcançaram lares de idosos, crianças sob proteção da lei e outros ambientes de vulnerabilidade, sempre com a mesma proposta que é de tornar o cuidado mais humano e inclusivo.

Para os estudantes, o RiSUS é também um espaço de transformação pessoal e profissional. “As oficinas são como um suspiro na semana. É um ambiente leve, de troca, amizade e apoio mútuo. Aprendemos a olhar o outro com mais empatia, a ouvir com atenção e a cuidar de forma integral. Muitos alunos dizem que, ao provocar o riso, também se sentem cuidados”, relata Tassiane.

Essa experiência se liga diretamente ao compromisso do Mestrado em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local da Emescam, que fortalece a extensão como um espaço estratégico de transformação social. “O mestrado me ajudou a compreender a palhaçaria terapêutica como uma tecnologia social poderosa, que humaniza o SUS e forma profissionais mais sensíveis, éticos e preparados para atuar em contextos de vulnerabilidade”, explica.

E os planos para o futuro não param. Em 2025, o RiSUS segue ampliando suas atividades em hospitais e pretende expandir para outros públicos, como crianças, adolescentes e idosos em situação de vulnerabilidade. O projeto também quer avançar em pesquisas científicas que validem os benefícios da palhaçaria terapêutica e até experimentar novos recursos, como o uso da realidade virtual.

No fim, a mensagem é simples e poderosa: o riso é um remédio que não se compra em farmácia, mas que pode transformar profundamente vidas e experiências no cuidado em saúde. “Cada visita mostra que o afeto cura, que a escuta é terapêutica e que o riso é uma ponte entre dor e esperança. Esse é o papel do RiSUS”, conclui Tassiane.

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