
Por Anny Freire
Uma revisão que, além de dinâmica, virou uma disputa acirrada, cheia de estratégia, torcida, gritos de guerra e até cerimônia de premiação. Foi assim que os estudantes do 1º período de medicina da Emescam viveram a experiência de gamificação desenvolvida pelos professores Adercio Marquezini, Afrânio Destefani e Georgia Traichel, que transformaram a revisão do segundo bimestre da disciplina de Bioquímica em um grande jogo interativo.
A ideia surgiu da observação do perfil dos alunos que chegam à graduação: recém-saídos do ensino médio, ainda ajustando o ritmo de estudo e lidando com a densidade dos conteúdos iniciais da formação médica.
“Os estudantes chegam inseguros, tensos, e a Bioquímica é uma disciplina complexa, que assusta. No fim do semestre, quando já estão sobrecarregados com diversas avaliações, percebemos que era o momento ideal para oferecer uma revisão leve, motivadora e, ao mesmo tempo, eficaz”, explica a Profa. Georgia, médica endocrinologista, mestre em Bioquímica, egressa da Emescam e docente da instituição. Segundo ela, o game surgiu como forma de transformar um conteúdo denso em algo atrativo e acolhedor.
A dinâmica foi realizada em um tabuleiro que simulava, de maneira integrada e estratégica, as vias metabólicas estudadas ao longo do semestre. Os estudantes avançavam à medida que respondiam corretamente às perguntas, acumulando ATP, a “moeda” do jogo, de acordo com suas escolhas metabólicas. “O mais bonito da gameficação foi ver como o tabuleiro permitiu integrar todos os metabolismos de forma visual. Os alunos conseguiam enxergar como as vias conversam entre si, perceber a relação entre carboidratos, lipídios e metabolismo nitrogenado, e entender a lógica de situações clínicas que ativam determinadas vias”, destaca a professora.
O jogo não apenas aproximou os estudantes dos conceitos, mas também mostrou, na prática, algo que muitas vezes se perde na teoria: o metabolismo não funciona em compartimentos isolados. As escolhas feitas no tabuleiro tinham impacto direto na geração de energia, e certas transições entre vias simplesmente não eram possíveis, tal como ocorre no organismo. “Aos poucos eles foram tendo um verdadeiro ‘estalo bioquímico’. Muitos tentaram pular de uma via para outra e descobriram que nem todas as conexões existem, nem no corpo, nem no tabuleiro. Essa limitação foi intencional e ajudou a fixar conceitos-chave”, comenta Georgia.
A competitividade natural dos estudantes aflorou rapidamente, impulsionada pela adrenalina da disputa e pela premiação final. A sala ganhou clima de torcida organizada, com gritos de guerra e grupos vibrando a cada avanço no tabuleiro. Para a professora, um dos momentos mais especiais foi a entrega dos certificados: “Eles se dedicaram de verdade, se esforçaram e entraram no espírito da atividade. Foi emocionante ver o reconhecimento do trabalho deles”.
Outro destaque foi a utilização do mapa metabólico como ferramenta ativa de raciocínio. Os grupos que dominavam o mapa conseguiam localizar as respostas com rapidez e tomavam decisões mais estratégicas. Para a docente, essa foi uma das evidências mais fortes de aprendizado significativo: “Ali ficou claro que eles não estavam só jogando, estavam compreendendo o metabolismo”.
A experiência também serviu como uma avaliação diagnóstica do próprio ensino. À medida que os alunos acertavam ou erravam, os professores identificavam, em tempo real, os conteúdos bem assimilados e aqueles que precisavam ser reforçados. Além do conteúdo, os estudantes levaram outro aprendizado importante: o entendimento de que Medicina não se reduz a decorar informações, mas exige integrar, raciocinar e aplicar o conhecimento em diferentes contextos.
“Eles descobriram que sabem mais do que imaginam e que são capazes de construir seu próprio raciocínio. Essa confiança vai acompanhá-los pela graduação inteira”, afirma Georgia.
A atividade, que começou como um projeto piloto, já tem perspectiva de continuidade e expansão. A equipe planeja aprimorar o jogo e convidar outras disciplinas para construir experiências interdisciplinares.
“Nosso sonho é ir além. Quem sabe, no futuro, uma Olimpíada de Bioquímica entre períodos ou até entre faculdades?”, brinca a professora.
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