Por Anny Freire
O mês de outubro chega ao fim, mas a conscientização sobre o câncer de mama precisa durar o ano inteiro. É com essa missão que o projeto de extensão “Juntos pela Mama”, da Emescam, mantém suas atividades contínuas, promovendo assistência integral, acolhimento e reabilitação para mulheres em tratamento oncológico.
Criado durante a pandemia, o projeto completou cinco anos de atuação e tornou-se referência na integração entre os cursos de medicina e fisioterapia, unindo conhecimento científico e sensibilidade humana. As atividades acontecem na Santa Casa de Misericórdia de Vitória, onde estudantes vivenciam a prática clínica supervisionada, oferecendo atendimento gratuito e humanizado a pacientes com câncer de mama.
“O projeto começou em 2020, quando vimos que o número de pacientes com câncer de mama aguardando por cirurgia era muito grande. Mobilizamos parceiros e conseguimos zerar a fila de espera na Santa Casa”, relembra a mastologista Danielle Chambô dos Santos, coordenadora da área médica do projeto e professora da Emescam.
Entre os principais resultados alcançados estão a implantação de um centro cirúrgico dedicado ao tratamento do câncer de mama, a aquisição da touca de quimioterapia, que reduz a queda de cabelo durante o tratamento, e a inclusão de um aparelho de radiofrequência intravaginal, voltado para a saúde sexual das pacientes, um cuidado ainda pouco abordado nos tratamentos oncológicos tradicionais.
“Conversar com a paciente e propor soluções para o impacto do tratamento na autoestima e na vida sexual é fundamental. Nosso foco é o cuidado integral e a qualidade de vida”, destaca Danielle.
Na fisioterapia, a coordenação é da professora Raquel Coutinho Pompermayer, especialista em oncologia e egressa da primeira turma do curso. Ela reforça que o projeto é um espaço de crescimento humano e técnico para os alunos, além de um ponto de apoio para muitas mulheres em fase de recuperação.
“O Juntos pela Mama é encantador. Ele traz uma riqueza de aprendizado que vai além da técnica, é sobre empatia, escuta e cuidado. Os alunos crescem como profissionais, mas principalmente como seres humanos”, afirma Raquel.
A estudante Ana Alicia, do 6º período de Fisioterapia, é um exemplo desse aprendizado na prática. Ela participa do projeto há mais de um ano e conta que descobriu no Juntos pela Mama uma nova forma de enxergar a profissão.
“Eu entrei no projeto por curiosidade e acabei me apaixonando. A gente percebe que consegue mudar a vida de uma pessoa através da fisioterapia. É gratificante ver a evolução das pacientes, não só fisicamente, mas também como pessoas. Elas chegam tímidas e vão recuperando a confiança e a autoestima ao longo do tratamento”, compartilha Ana Alicia.
Para a estudante Beatriz Faustini, do 9° período de Medicina, está desde o 7° período e ela afirma que ele agrega não somente para a vida acadêmica, como também para a parte pessoal.
“Na parte da vida acadêmica, nós conseguimos viver a rotina de ambulatório, cirurgia, saber avaliar os exames. Mas o bem que podemos fazer com um projeto e de poder ajudar essas pacientes – principalmente por ser algo que gera muita incerteza – é muito gratificante”, conta Beatriz.
O projeto funciona em sistema de portas abertas, acolhendo novas pacientes e estudantes interessados em atuar na área. O atendimento é gratuito e as triagens podem ser realizadas virtualmente, por meio do Instagram oficial do projeto. “Hoje conseguimos reduzir a burocracia e agilizar o atendimento. As pacientes podem entrar em contato pelo link na bio do nosso Instagram e são direcionadas rapidamente para o cuidado necessário”, explica Danielle.
Para as coordenadoras, o Juntos pela Mama representa não apenas uma iniciativa de extensão universitária, mas também um compromisso social da Emescam com a comunidade capixaba.
“Os alunos vivenciam na prática o que significa cuidar do outro, e isso é transformador. Por isso, convidamos todos a conhecer o projeto e, se possível, participar. Pelo menos uma vez durante a graduação, vale a experiência de viver essa grande riqueza que é o Juntos pela Mama”, conclui Raquel Pompermayer.
Com cinco anos de resultados concretos, histórias inspiradoras e mais de 350 mulheres atendidas só neste ano, o Juntos pela Mama lembra que, mais do que um mês de campanha, o combate ao câncer de mama é uma causa para o ano inteiro.
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