Por Anny Freire

Em um mundo cada vez mais exigente em termos de foco, organização e controle emocional, compreender como funciona a atenção e as chamadas funções executivas é essencial para o bem-estar individual e coletivo. Essas habilidades cognitivas são responsáveis por processos como planejamento, tomada de decisões, autocontrole e flexibilidade mental – e seu mau funcionamento pode impactar desde o desempenho escolar de uma criança até a autonomia de um idoso.
É nesse contexto que ganha destaque a Neuropsicologia da Atenção e das Funções Executivas, uma área da ciência que investiga, diagnostica e propõe estratégias terapêuticas para lidar com disfunções cognitivas que afetam a vida diária. A professora e neuropsicóloga Raphaela Feitosa, coordenadora da pós-graduação em Neuropsicologia e Reabilitação da Emescam, explica que essas funções são como o “comando central” da mente.
“As funções executivas correspondem a um conjunto de habilidades que, de forma integrada, permitem ao indivíduo direcionar comportamentos a metas, avaliar sua eficácia e se adaptar diante de obstáculos. Elas nos ajudam a resolver problemas imediatos, de médio e longo prazo”, detalha a especialista.
Manter o foco em uma aula longa, alternar a atenção entre uma pergunta e o conteúdo da matéria, planejar uma viagem do início ao fim ou evitar gastos desnecessários para cumprir um orçamento: todas essas ações envolvem a atuação saudável das funções executivas e da atenção. Quando há prejuízos nesses domínios, os sinais aparecem de forma clara.
“Alta distraibilidade, ‘apagões’ durante conversas, dificuldade em concluir tarefas, impulsividade, procrastinação, desorganização e baixa tolerância à frustração são alguns dos sintomas mais comuns. E esses desafios afetam diretamente o desempenho escolar, a produtividade no trabalho e as relações sociais”, explica Raphaela.
A partir dos 30 anos, é comum que as funções executivas comecem a perder eficiência, o que pode ser agravado por transtornos como TDAH, ansiedade, depressão, traumas e doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. A neuropsicologia atua justamente nesse ponto: identificar, diferenciar e tratar os fatores que causam tais disfunções.
A avaliação neuropsicológica vai além de testes padronizados. Ela integra histórico de vida, funcionamento emocional, desempenho cognitivo e contexto social. Assim, evita diagnósticos precipitados e direciona intervenções eficazes e personalizadas.
“A Neuropsicologia é uma ciência sensível e humana. Ela nos permite diferenciar, por exemplo, traços típicos da vida moderna de um transtorno real, como o TDAH. E vai além do diagnóstico: propõe caminhos terapêuticos que transformam vidas”, afirma a coordenadora.
Raphaela compartilha um caso emblemático: uma estudante de 21 anos, que sonhava com uma vaga em Medicina, mas tinha baixo rendimento nas provas. A partir de uma avaliação detalhada, foram identificadas dificuldades de memória de trabalho e flexibilidade cognitiva, agravadas pela ansiedade e má qualidade do sono. Com ajustes na rotina, tratamento terapêutico e reabilitação cognitiva, a aluna teve melhora significativa e foi aprovada em uma universidade federal.
Com o aumento da demanda por profissionais qualificados, cresce também a procura por especializações que aprofundem o conhecimento sobre o funcionamento do cérebro humano. A Pós-graduação em Neuropsicologia e Reabilitação da Emescam prepara psicólogos e profissionais da saúde para lidar com esses desafios com base científica e prática clínica.
“Nosso grande diferencial é o ambulatório de prática supervisionada, com atendimento real a pacientes. Isso proporciona aos alunos uma vivência direta com os desafios da profissão, desde o raciocínio clínico até o planejamento terapêutico”, destaca Raphaela.
O curso reúne professores reconhecidos regional e nacionalmente, oferecendo uma formação sólida em neurobiologia, psicopatologia, avaliação, reabilitação cognitiva e ética profissional. Além de psicólogos, a especialização também atrai médicos, pedagogos e profissionais da educação, ampliando o impacto da neuropsicologia em diferentes contextos.
Com a popularização dos temas ligados à saúde mental, tornou-se comum o aumento de diagnósticos e, com ele, também crescem os riscos de autodiagnósticos ou interpretações equivocadas. Para Raphaela, o papel do neuropsicólogo é ser uma fonte segura de orientação, traduzindo o conhecimento científico em ações práticas e humanizadas.
“O diagnóstico não é um rótulo. Ele deve surgir de uma avaliação criteriosa e contextualizada. A atuação ética também envolve resistir à medicalização excessiva e promover o autoconhecimento sem patologizar comportamentos”, pontua.
A neuropsicologia, segundo ela, pode e deve ser uma ferramenta de transformação social:
“Quando entendemos como pensamos, sentimos e agimos, temos mais empatia, mais recursos para lidar com as diferenças e mais clareza para promover inclusão e bem-estar coletivo.”
Para quem deseja iniciar nessa área, Raphaela é enfática: a pós-graduação é um excelente ponto de partida. “O curso da Emescam oferece os caminhos teóricos e práticos para uma atuação de qualidade. É também uma escolha de compromisso com a escuta, o cuidado e a promoção de uma sociedade mais consciente e saudável”, finaliza.
| Cookie | Duração | Descrição |
|---|---|---|
| cookielawinfo-checbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
| cookielawinfo-checbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
| cookielawinfo-checbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
| cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
| cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
| viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |